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A semente do trigo que morre para frutificar (1/5)


"Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer; dá muito fruto" (Jo 12.24)


Jesus extrai aqui uma ilustração baseada na natureza, a fim de ensinar-nos exatamente o que ele queria dizer no versículo anterior: ".. É chegada à hora de ser glorificado o Filho do Homem..." (Jo 12.23). Uma semente vive, floresce e produz fruto e vida com abundância; mas não enquanto não tiver sido lançada no solo e, passar pela "morte". Assim também sucedeu à vida de Jesus (v.23) e assim deve acontecer com a vida de todo o homem (v.25). Aquele que vive egoisticamente, preservando a sua vida para si mesmo, não pode produzir qualquer benefício, porque é uma semente que jamais foi plantada. Naturalmente o Senhor Jesus salienta aqui outro sacrifício, uma espécie de plantio do próprio "eu", bem como a forma de morte do "eu". Esse é o princípio básico no serviço cristão, de uma vida verdadeiramente produtiva.


Tudo isso é introduzido pela fórmula solene: "Em verdade, em verdade...", que frisa a solenidade, a verdade e a durabilidade da declaração a que está vinculada. O ponto de vista cristão da vida é expresso por Lange, da seguinte maneira: "A natureza humana não atinge, neste mundo, uma aparência verdadeira e essencial mediante o auxílio da poesia e da arte; mas chega ao que é verdadeiro e belo mediante a transferência do indivíduo da morte para uma nova vida (1 Jo 3.2). O grão de trigo, neste caso simboliza a nova vida que deve resultar da morte, a fim de aparecer em sua riqueza, em seu fruto. No caminho da morte, não somente o grão isolado de trigo se desdobra em muitos, mas esses muitos, na qualidade de fruto para nutrição e nova semente, aparece como um poder infinito, como uma vida universal".


Este comentário de Lange, é muito apto para ilustrar o fato de que Jesus, em sua natureza humana, morreu e foi ressuscitado, tendo ascendido aos céus e tendo sido glorificado; essa mesma vida e processo de glorificação são transferidos aos remidos e eles passam a compartilhar da vida que ele possui: a vida eterna de Deus. Dessa maneira, pois os homens chegam a participar da natureza e da vida de Deus, segundo afirma expressamente a passagem de 2 Pd 1.14.


Em sua encarnação, Jesus mostrou-se obediente até a morte, e dessa morte flui uma vida abundante, vida essa produzida em todos os crentes autênticos. Além disso, a vida assim transmitida aos crentes é o mesmo tipo de vida que se encontra no Cristo glorificado. Isso subentende a necessidade de uma total transformação e participação de tudo quanto Cristo é e fez, e isso é justamente o que nos ensina os trechos de Rm 8.29; Ef 1.23. Dessa forma, muitos filhos estão sendo conduzidos à glória, porquanto a semente plantada se multiplica e produz muito fruto segundo a sua própria espécie; pois essa é a única forma de vida que a mesma é capaz de produzir. O apóstolo Paulo se utilizou da mesma figura simbólica no trecho de 1 Co 15.36-46, ilustrando a vida ressurreta.


O grão de trigo, o mistério da vida por meio da morte. Esse é o segredo da frutificação, e que é repetido em 1 Co 15.32. O sacrifício é a salvação da vida, tal como o egoísmo é o seu embotamento.


É esse processo, aparentemente destrutivo, que exige a fé da parte do semeador, que desencadeia as forças existentes na semente e permite que a mesma se multiplique. Preservar a semente do seu sepultamento no solo equivale a impedir que a mesma atinja seu melhor desenvolvimento e uso. A lei da semente é a lei da vida humana.


Cristo agora diz-nos que enquanto ele continuava na terra, essa vida existia somente em forma de germe; mas quando de sua morte, haveria de irromper e desenvolver-se, multiplicando-se na forma de uma grande colheita espiritual no mundo. Tal é o teor da profecia. A história de tudo quanto é melhor, mais verídico e mais nobre, na vida de vinte e um séculos chega a nós com o seu cumprimento.

"Aquele que vive egoisticamente,
preservando a sua vida para si mesmo,
não pode produzir qualquer benefício,
porque é uma semente que  jamais foi plantada".
(Pr. Elias Croce)

A verdadeira semente é aquela que se permite morrer para que uma árvore nasça e produza sombras e frutos. Da mesma forma - algumas vezes - é preciso abdicarmos parcialmente do nosso conforto, se quisermos realizar nosso sonhos. " Cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz". "Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto".

A sabedoria de Jesus nos fascina. Sua maneira simples de nos ensinar as coisas mais complexas da vida nos deixa encantados. Os elementos que utiliza para transmitir sua experiência, o jeito que elabora seu pensamento, os exemplos que ele dá são de deixar qualquer mestre ou pedagogo boquiaberto.

No versículo citado, por exemplo, ele utiliza um linguajar típico do homem de campo: grão e terra. Trata-se de um contexto muito peculiar tanto para os homens simples, como para os doutores de seu tempo. Jesus contextualiza, conhece tanto o povo quanto o ambiente no qual esse mesmo povo está inserido. O interessante é que ele nos fala do grão, mas não o dissocia do elemento que o acompanha, a terra. Ele sabe que deve conhecer não só o grão, mas também a terra.

Ficaria sem sentido falar do grão, sem mencionar a terra, pois o grão, para crescer, frutificar, deve ir para a terra. Terra fértil, terra que produz, terra que ajuda no crescimento, terra a partir da qual fomos criados.

"A verdadeira semente é aquela
que se permite morrer
para que uma árvore nasça
e produza sombras e frutos".
(Pr. Elias Croce)

Penso que às vezes nos desenfreamos a falar sobre grão e nos esquecemos da terra. Explico: falamos do homem e nos esquecemos de falar de seu meio, de sua cultura. De certa forma, ficamos despercebidos, achando que a "cultura-terra" não tem importância para o crescimento desse "homem-grão".

Fonte: O Grão de trigo que gerou as Assembleias de Deus p. 13-16.
Extraído do livro: (4° EBOM) Pentecostalismo e História, AD São Mateus, comentários: Pr. José Elias Croce

A História da Igreja - A semente do trigo que gerou a Igreja foi divida em 5 partes. Para continuar lendo a segunda parte clique aqui.

3 comentários:

  1. PERFILHAR
    NÃO, o grão de trigo, na verdade, na verdade, NÃO MORRE!
    Em verdade, em verdade eu vos digo, se o grão de trigo que cai na terra não morre ele fica só. Se, ao contrário, ele morrer, produzira fruto em abundância. (Bíblia de Jerusalém, João 12-24).
    Dentre os erros ou as incongruências das interpretações encontradas nos evangelhos sobre Jesus, algumas não são muito notadas. Se alguém abrir uma abóbora, colocar sal nas sementes e torrá-las provavelmente tais sementes nunca mais germinarão. As sementes morreram e viraram alimento. Na verdade, na verdade, nenhuma semente morta pode, sem uma intervenção miraculosa, germinar. Morta sem torrar nem salgar. Se uma semente germinar é porque ela está viva. Podemos até dizer seguramente, que o Criador faz germinar uma semente morta, porém se ele fizer uma semente morta germinar, o próprio Criador dar-lhe-á vida antes dela germinar e, portanto, o que germina é uma semente viva e não morta. Existem pessoas que só comem sementes consideradas mortas, ou seja, incapazes de germinar. A germinação é a transformação da semente viva como lagarta na borboleta. Nunca da semente morta.
    Contudo, sobre a semente também está registrado uma patente incorreção 1 Coríntios 15, conforme segue: “36 Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer.” Não é verdade, erra feio por desconhecer o evangelho de Jesus, isto é, desconhece a frase da boa notícia que o Cristo trouxe para o mundo. Essa patente incorreção e seu entendimento é responsável por levar ao erro o contido em João 12-24.
    Assim também, as borboletas, se transformam e não morrem. A semente, para produzir, não morre, mas se transforma, germina. Dessa forma Paulo de Tarso também falhou feio (aliás, não acertou nada do que falou e isso é extremamente grave, NADA) e por isso transformou-se num insensato pelas suas próprias palavras. A respeito do assunto da semente morta, quando Jesus disse (João 12-24) "SE O GRÃO DE TRIGO CAINDO NA TERRA NÃO MORRER, FICA ELE SÓ; MAS SE MORRER, DÁ MUITO FRUTO", se ele estiver certo, presume-se que o TODO PODEROSO dá vida a todo grão de trigo, tornando até possível a frase sabendo que Jesus utilizou apenas de uma forma de dizer as coisas.
    Na verdade existe algo interessante com a semente do trigo. Se ela germinar e o filete morrer logo em seguida, por intempérie climática, o que morre é o BROTO GERMINADO, (por exemplo, com uma geada); a semente que produziu o primeiro broto de trigo então produz muitos outros filetes de brotos, imediatamente, dando muito mais frutos. Esse fenômeno recebe o nome de perfilhação. A semente PERFILHA. Assim, SE UM FILETE PRODUZIDO POR UMA SEMENTE VIER A MORRER, A SEMENTE PRODUZIRÁ MAIS FILETES, MUITOS BROTOS SURGIRÃO, DANDO MUITO MAIS FRUTO QUE UM SÓ BROTO. Mas se o filete (o broto) original não morrer a quantidade de frutos provavelmente será menor. Inicialmente não foi a semente que morreu, mas o filete natural (o broto único) da semente.
    Inexatidões como essa tiram completamente a credibilidade cega de quem tem um pouquinho só de inteligência e conhecimento dados por Deus. E foi provocado por frase Pauliana que aliás deturpa todo o ensino de Jesus e dos profetas, atrapalhando a compreensão dos que verteram a bíblia. Reputo como um grande lapso dentre as palavras de Jesus, excetuando-se, é óbvio, os provocados pela tradução indevida.
    Vai um conselho de ancião. Quando ler alguma coisa, raciocine. Quando escutar, pense. Nem que este analista, que seu pai, sua mãe, ou parentes e amigos lhe afirmarem, pense, raciocine. E sempre analise com imparcialidade e isenção de ânimos todas as variáveis admissíveis para não ser enganado.
    Nós morremos, porque somos pó e ao pó voltaremos, mas o grão de trigo para que perfilhe NÃO MORRE, FICA VIVO!
    CQD
    Ricardo Neme Nasralla

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    1. Não se trata de inexatidão. Você deve levar em conta o contexto histórico e o público a quem Jesus falava e a quem João escreve seu Evangelho. As pessoas da época tinham a agricultura em seu cotidiano, em sua cultura e até em seus provérbios, muito mais do que temos hoje. Portanto, eles entenderam perfeitamente o que Jesus quis dizer.
      Você deve analisar muito mais que palavras, mas o contexto em que elas estão.

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  2. Não precisei ler tudo para identificar as heresias existentes em sua afirmação!

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